WORKSHOP SOBRE SISTEMAS AGROFLORESTAIS EM MOÇAMBIQUE GERANDO ECONOMIA SUSTENTAVEL, PRODUTIVIDADE AGRÁRIA E RESILIÊNCIA CLIMÁTICA

Moçambique reforça, esta terça-feira, 1 de Julho, em Maputo, a aposta nos Sistemas Agroflorestais (SAF) como solução estratégica para aumentar a produção agrícola, restaurar os solos e travar a degradação ambiental. O facto foi destacado durante a abertura do Workshop Nacional sobre Sistemas Agroflorestais, sob o lema “*Gerando Economia Sustentável, Produtividade Agrária e Resiliência Climática”,* dirigido pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, num encontro de dois dias que junta instituições públicas , privadas, parceiros de cooperação e diversos actores do sector.
Na ocasião, o Ministro alertou que o País perde anualmente mais de 267 mil hectares de floresta, estando entre os dez países com maiores taxas de desmatamento do mundo. Referiu ainda que mais de 70% da população depende de sistemas agrícolas vulneráveis às mudanças climáticas e que cerca de 25% do território nacional apresenta degradação dos solos, situação que compromete a produtividade agrícola e a segurança alimentar.
Segundo o governante, práticas como o corte e queima, a agricultura itinerante sem maneio adequado, a expansão de monoculturas e a exploração ilegal de recursos naturais têm acelerado a degradação ambiental. Este cenário coloca em risco a meta de produção de 3,4 milhões de toneladas de cereais na campanha agrária 2025/2026, devido à crescente instabilidade climática.
Perante este quadro, o Ministro defendeu os Sistemas Agroflorestais como resposta prática e sustentável, por integrarem árvores, culturas agrícolas e, nalguns casos, pecuária no mesmo sistema produtivo. Esta abordagem permite recuperar solos, aumentar a retenção de água, diversificar rendimentos e reforçar a resiliência das famílias rurais face a secas, cheias e ciclones cada vez mais frequentes.
Foram igualmente apresentados resultados concretos já em curso no País. Na Zambézia, o projecto ETHAKA registou aumentos de produtividade entre 30 e 50% nas culturas associadas aos SAF e maior resistência das colheitas durante a seca de 2024. Em Nampula, o sistema Faidherbia-milho permitiu aumentar a fertilidade dos solos e elevar em cerca de 40% o rendimento das famílias rurais.
Durante o evento foi ainda assinado um Memorando de Entendimento entre Moçambique e a Itália no domínio do desenvolvimento sustentável, que estabelece cooperação em áreas como conservação da biodiversidade, gestão sustentável de florestas, solos e recursos hídricos, acção climática, economia circular, investigação científica, reforço de capacidades institucionais e transferência de tecnologias. O instrumento prevê ainda programas conjuntos, intercâmbio de especialistas, formação técnica, investigação aplicada, parcerias público-privadas e valorização económica dos serviços dos ecossistemas.
O representante da Cooperação Italiana, Gabriele Annis, destacou que a parceria com Moçambique assenta numa relação sólida de confiança e cooperação de longo prazo orientada para o desenvolvimento sustentável. Sublinhou que o sector ambiental constitui actualmente um dos pilares da cooperação italiana no País, com intervenções em áreas como conservação da biodiversidade, gestão sustentável dos recursos naturais e adaptação às mudanças climáticas.
O governante referiu ainda que os Sistemas Agroflorestais são cada vez mais reconhecidos a nível internacional como uma solução eficaz para conciliar produção agrícola, conservação ambiental e resiliência climática, considerando que Moçambique reúne condições para se afirmar como referência regional nesta área.
O workshop deverá contribuir para a actualização da Estratégia Nacional dos Sistemas Agroflorestais, reforçando o compromisso de transformar as boas práticas já existentes em escala nacional e consolidar um modelo de desenvolvimento rural mais produtivo, resiliente e sustentável

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