Moçambique reforça compromisso com os sistemas agroflorestais para impulsionar a produção agrícola, fortalecer a economia rural, proteger as florestas e reforçar a resiliência climática

Governo de Moçambique reafirmou, esta terça-feira, o seu compromisso com a promoção dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) como uma estratégia fundamental para aumentar a produção agrícola, restaurar ecossistemas, proteger as florestas e fortalecer a resiliência climática das comunidades rurais.

O compromisso foi reiterado durante a abertura do Workshop Nacional sobre Sistemas Agroflorestais, realizado em Maputo sob o lema “SAFs_Gerando Economia Sustentável, Produtividade Agrária e Resiliência Climática”, presidido pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino. O encontro, de dois dias, reúne representantes de instituições públicas e privadas, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil, sector académico e outros intervenientes ligados ao desenvolvimento rural sustentável.

Na sua intervenção, o Ministro alertou para os desafios ambientais que o País enfrenta, destacando que Moçambique perde anualmente mais de 267 mil hectares de floresta, figurando entre os dez países com maiores taxas de desmatamento no mundo. Acrescentou que mais de 70% da população depende de sistemas agrícolas altamente vulneráveis às mudanças climáticas e que cerca de 25% do território nacional apresenta níveis significativos de degradação dos solos, comprometendo a produtividade agrícola, a segurança alimentar e os meios de subsistência das comunidades.

Segundo o governante, práticas como a agricultura de corte e queima, a agricultura itinerante sem técnicas adequadas de maneio, a expansão desordenada de monoculturas e a exploração ilegal dos recursos naturais continuam a acelerar a degradação ambiental. Este cenário representa um risco para o alcance da meta de produção de 3,4 milhões de toneladas de cereais prevista para a campanha agrária 2025/2026, agravado pelos efeitos cada vez mais frequentes da variabilidade e das mudanças climáticas.

Perante este contexto, Roberto Mito Albino defendeu os Sistemas Agroflorestais como uma solução prática, sustentável e de elevado impacto, por integrarem árvores, culturas agrícolas e, em alguns casos, a pecuária num mesmo sistema produtivo. Segundo explicou, esta abordagem contribui para recuperar a fertilidade dos solos, aumentar a retenção de água, conservar a biodiversidade, diversificar as fontes de rendimento das famílias rurais e reforçar a capacidade de adaptação às secas, cheias e ciclones.

Durante o workshop foram igualmente apresentados resultados concretos da implementação dos SAF em diferentes províncias do País. Na Zambézia, o projecto ETHAKA registou aumentos de produtividade entre 30% e 50% nas culturas associadas aos sistemas agroflorestais, bem como maior resistência das colheitas durante a seca de 2024. Em Nampula, a integração da espécie Faidherbia albida na produção de milho permitiu melhorar a fertilidade dos solos e aumentar em cerca de 40% o rendimento das famílias beneficiárias.

Outro momento de destaque foi a assinatura de um Memorando de Entendimento entre os Governos de Moçambique e da Itália, destinado a reforçar a cooperação bilateral no domínio do desenvolvimento sustentável. O acordo contempla áreas como a conservação da biodiversidade, a gestão sustentável das florestas, dos solos e dos recursos hídricos, a acção climática, a economia circular, a investigação científica, o reforço das capacidades institucionais e a transferência de tecnologias. O instrumento prevê ainda a implementação de programas conjuntos, intercâmbio de especialistas, formação técnica, investigação aplicada, promoção de parcerias público-privadas e valorização económica dos serviços dos ecossistemas.

Na ocasião, o representante da Cooperação Italiana, Gabriele Annis, sublinhou que a parceria entre os dois países assenta numa relação sólida de confiança e cooperação de longo prazo orientada para o desenvolvimento sustentável. Destacou que o sector ambiental constitui actualmente um dos principais pilares da cooperação italiana em Moçambique, com intervenções nas áreas da conservação da biodiversidade, gestão sustentável dos recursos naturais e adaptação às mudanças climáticas.

Encerrando a sua intervenção, o Ministro destacou que os Sistemas Agroflorestais são hoje amplamente reconhecidos a nível internacional como uma das soluções mais eficazes para conciliar produção agrícola, conservação ambiental e resiliência climática. Manifestou igualmente a convicção de que Moçambique reúne condições para se afirmar como uma referência regional na implementação desta abordagem.

Espera-se que o Workshop contribua para a actualização da Estratégia Nacional dos Sistemas Agroflorestais, consolidando o compromisso do Governo e dos seus parceiros de transformar as boas práticas já existentes em intervenções de escala nacional, capazes de promover um modelo de desenvolvimento rural mais produtivo, resiliente, inclusivo e sustentável

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